Portagens no IP5 . A25

Prejudiciais para o país e injustas para todos !

(texto publicado na revista Prime Negócios – edição de 6.Outubro)

Francisco Almeida

Professor.

 

Tudo está mais claro. O Governo, através do seu primeiro responsável – Santana Lopes-, confirmou o que já se sabia: a maioria política que governa o país quer introduzir portagens nas chamadas SCUT, entre as quais se inclui a A25 (actual IP5). Porque temos dado rosto ao protesto contra esta decisão do Governo, aqui deixamos as razões que movem a Comissão de Utentes Contra as Portagens no IP5 . A25.

 

Afirmamos que a introdução de portagens no IP5 – futura A25 - é profundamente prejudicial e injusta para a economia e as populações dos distritos da Guarda, Viseu e Aveiro, por um conjunto de razões que já mereceram o acordo de milhares de cidadãos e organizações.

1. Hoje, não existem alternativas a esta via rodoviária estruturante, uma vez que a EN16 e EN17 são manifestamente desadequadas como vias inter-regionais. Diga-se, por exemplo, que circular na EN 16 significa atravessar localidades como Fornos de Algodres, Mangualde, S. Pedro do Sul ou Oliveira de Frades.

2. O Itinerário Principal 5 (futura A25) é uma das principais vias de escoamento terrestre de produtos e mercadorias produzidas no país, particularmente no distrito de Aveiro e em diversas áreas dos distritos de Viseu e Guarda. Hoje, no IP5 circulam 75% das mercadorias que, por via terrestre, entram e saem do país. Imagine-se os custos que a introdução de portagens teria na economia da região e do país. É importante recordar que no IP5 . A25 circulam todos os dias milhares de veículos de muitas empresas. Não são apenas veículos pesados de mercadorias, mas outros onde se deslocam quadros, técnicos e gestores. Os custos das portagens no IP5. A25 (por comparação com a A1) podem ser consultados em www.contraportagens.net.

3. Muitos trabalhadores por conta de outrem circulam também no IP5 para chegar ao seu local de trabalho. E importa registar que a crescente mobilidade de muitas profissões fará crescer a importância desta via.

4. O pagamento de portagens no IP5 (futura A25) em nada contribuiria (antes pelo contrário) para combater a interioridade e a desertificação que afectam os distritos de Viseu e Guarda.

5. O que está em curso na nossa região não é a construção de uma verdadeira auto-estrada, mas, muito simplesmente, a duplicação do IP5. De facto, observando as obras em curso percebe-se que as curvas perigosas e os declives vão continuar. Teremos apenas mais faixas de rodagem. Não desvalorizamos a duplicação do IP5 (há muito reivindicada por responsáveis autárquicos e populações). Trata-se de uma obra absolutamente indispensável para resolver o congestionamento de tráfego que já provocou inúmeras vitimas, mas nada autoriza que se fale numa verdadeira auto-estrada.

6. O chamado princípio do utilizador/pagador  que o Governo invoca deve ser firmemente combatido a não ser que alguém queira aplicá-lo a toda a vida nacional - eliminam-se as despesas de pessoal com as polícias e, de seguida, entrega-se a segurança dos nossos bairros a empresas de segurança privada passando todos os vizinhos a pagar uma quota. Acaba-se com as despesas dos tribunais e fazemos justiça por mão própria. Acabamos com os salários pagos a quem trabalha nas escolas e passamos a pagar a educação dos nossos filhos em colégios privados – seria o princípio do utilizador/pagador aplicado em pleno. Provavelmente, é a isto que a maioria que nos governa quer conduzir o país. O Estado passaria a servir apenas para ter  ministros, secretários de estado, assessores, presidentes de câmara, deputados (obedientes de preferência) e trataria de distribuir pelos amigos uns tantos negócios. Como se vê, por de trás da “conversa em família” que o Ministro das Finanças nos proporcionou e dos discursos do Primeiro Ministro está um miserável ataque aos direitos dos portugueses que vivem do seu trabalho.

 

Uma nota final para deixar um sinal de esperança na luta que travamos contra as portagens no IP5 . A25 – foram já recolhidas mais de  15.000 assinaturas de cidadãos e de largas centenas de organizações (que não valem apenas uma  assinatura). Aqui vale a pena destacar a Associação Industrial da Região de Viseu, a Associação Comercial da mesma cidade, dezasseis câmaras municipais, a Confederação dos Pequenos, Médios e Micro Empresários de Portugal, mais de cem juntas de freguesia, organizações de agricultores, as estruturas da CGTP na nossa região, a federação dos sindicatos de transportes rodoviários, organizações da Igreja Católica….etc, etc.

A Comissão de Utentes Contra as Portagens no IP5 . A25 quer superar as 20.000 assinaturas. Precisamos do seu apoio – assine em www.contraportagens.net e participe no buzinão (8 de Outubro. Viseu. Avª Europa, 17.00 H) e na marcha lenta em data a anunciar brevemente.



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