Centenas de Veículos Entupiram Centro de Viseu em Protesto Contra as Portagens no IP5
Por MARIA ALBUQUERQUE
Sábado, 09 de Outubro de 2004

Ensurdecedor. Um enorme buzinão vaiou, ontem, em Viseu, a decisão do Governo de introduzir portagens na futura A25, correspondente à duplicação do IP5. Durante mais de uma hora e meia, as buzinas de "largas centenas de carros", entre eles sete camiões, ecoaram pela cidade, obrigando muitos dos transeuntes a taparem os ouvidos com as mãos.

Horas antes, o secretário de Estado das Obras Públicas, Jorge Costa, também em Viseu, onde participou num seminário sobre gestão de aeródromos e heliportos, apelou à calma, alegando que é "um bocado prematuro" protestar sem que o modelo de discriminação positiva esteja devidamente definido.

Segundo Francisco Almeida, porta-voz da Comissão de Utentes Contra as Portagens no IP5/A25, a enorme adesão ao primeiro buzinão, convocado por "sms" e e-mail, revela o descontentamento da população em geral. "Não temos outro caminho, a vida ensinou-nos que se não lutarmos nada conseguimos. Nós estamos a fazer tudo para pressionar o Governo a mudar de atitude relativamente à introdução de portagens no IP5", vincou.

De t-shirt vermelha, calças de ganga e óculos de sol, António Branquinho, motorista da Patinter, empresa de transportes sediada em Mangualde, explicou aos jornalistas que decidiu participar no protesto por iniciativa própria.

Com ele, vieram cinco colegas da empresa e respectivos camiões. "Nós não podemos pactuar com isto! As empresas estão em risco, o gasóleo é demasiado caro e agora põem-nos as portagens. Vamos para o desemprego", justificou, garantindo que não hesitará em participar noutras acções de protesto. "Continuamos, se for preciso vimos cá outra vez. Uma, duas, três vezes! Vimos cá sempre que for preciso e com mais camiões e tudo", assegurou.

Ao buzinão juntou-se um veículo pesado de mercadorias, com matrícula francesa. O motorista, Carlos Carvalho, explicou que percorre o IP5 " pelo menos duas vezes por semana". "Eu sou de cá, mas tenho placa francesa no camião, porque a empresa tem sede em França. Por isso, mesmo que haja alguma coisa para moradores não vou usufruir disso", explicou, acrescentando que teme que o aumento de custos tenha repercussões na empresa.

(...)