Buzinão contra portagens no IP5 junta dezenas de veículos na Guarda
Por GUSTAVO BRÁS
Sábado, 16 de Outubro de 2004

A exemplo do que aconteceu na semana passada, em Viseu, a Guarda foi ontem à tarde palco de um buzinão contra o pagamento de portagens no IP5 (futura A25). Para além desta acção de protesto, a Comissão de Utentes Contra as Portagens no IP5 agendou já para o próximo dia 22 uma marcha lenta naquela via e no dia 29 haverá um novo buzinão em Aveiro. Para Novembro, está prevista uma outra iniciativa, desta vez, conjuntamente com a Comissão de Utentes da A23. Paralelamente, continua a recolha de assinaturas da petição contra as portagens, que será entregue na Assembleia da República, e que, segundo Francisco Almeida, porta-voz da Comissão, já reúne mais de 18 mil assinaturas.

Pouco passava das cinco e meia da tarde, quando se começaram a ouvir as primeiras buzinadelas no largo junto ao Mercado Municipal da Guarda. Uma acção de protesto contra a decisão do Governo de aplicar portagens na futura A25. A caravana ruidosa, que foi engrossando aos poucos, chegando a atingir as cerca cinco dezenas de veículos, percorreu durante mais de uma hora as principais ruas da cidade, provocando alguns engarrafamentos.

Francisco Almeida, porta-voz da Comissão de Utentes Contra as Portagens no IP5 (futura A25), estava visivelmente satisfeito com a adesão a estas iniciativas que se vão sucedendo pelas várias localidades. Este responsável aproveitou a ocasião para mandar um recado "a quem andou a fazer telefonemas a algumas pessoas da Guarda para tentar saber pormenores sobre o buzinão". "São comportamentos pidescos, dignos da época mais negra do fascismo", considera Francisco Almeida, assegurando que "isso, venha de quem vier, não vai intimar" os elementos da Comissão de Utentes ou os participantes nas diversas iniciativas. Fonte da PSP adiantou ao PÚBLICO que os contactos efectuados visaram apenas saber qual o percurso do buzinão para ser montado o dispositivo policial de forma a evitar o congestionamento do trânsito.

As reacções contra as portagens vão subindo de tom de dia para dia. O presidente da Junta de Freguesia de Aldeia Viçosa, Baltazar Lopes, diz que a autarquia vai apresentar uma providência cautelar para não acabarem as Scut, com o argumento de que não há alternativas, uma vez que vai deixar de haver IP5 e a Estrada Nacional 16 já foi desclassificada. E desafia os deputados de PS e PSD dos distritos da Guarda, Castelo Branco e Viseu a votarem contra o Orçamento de Estado, caso se mantenha a pretensão do Governo.

Autarquia pressiona Santana Lopes e António Mexia

Por seu lado, a Câmara da Guarda vai enviar mais uma moção à Assembleia da República, ao primeiro-ministro, bem como ao ministro das Obras Públicas, António Mexia, a contestar a recente decisão de implementar portagens na A23 e A25. O documento, aprovado anteontem por unanimidade, foi apresentado pelo vice-presidente da autarquia, Álvaro Guerreiro, e surge na sequência do anúncio feito no início da semana pelo ministro das Obras Públicas, António Mexia, que em Portalegre reafirmou a colocação de portagens na A23.

Embora a câmara e a Assembleia Municipal já tenham anteriormente tomado uma posição contra as portagens, o autarca explicou que a moção agora aprovada visa apenas "reafirmar a intransigência do município quanto a esta matéria". Em causa, salienta, está "a afronta e a violação de uma medida dita de discriminação positiva, que na altura foi transportada para esta região, e que, desta forma, será abalada profundamente por uma questão de incoerência politica".

Depois de lamentar que "o próprio ministro tenha anunciado no Algarve que as portagens a aplicar na Via do Infante seriam uma excepção", Álvaro Guerreiro diz que não compreende por que é que, "com o mesmo sistema de portagens, há portugueses de primeira e portugueses de segunda". "Os da Via do Infante que são turistas não têm portagens para já e nós temos?", questiona, salientando que o Interior não quer a A23 e a A25 "para fazer turismo", mas sim "para trabalhar e para o desenvolvimento do Interior e da região".

O presidente da Região de Turismo da Serra da Estrela (RTSE), Jorge Patrão, também já apelou ao ministro das Obras Públicas para que não sejam introduzidas portagens na A23, conhecida por auto-estrada da Beira Interior. Na carta, enviada ao governante, é referido, como justificação para o apelo, que aquela região "está a ser objecto de significativos investimentos em equipamentos turísticos", como novos hotéis e uma nova estância de esqui. Estes investimentos, sublinha Jorge Patrão, "atingem já as duas centenas de milhões de euros e são vitais para o desenvolvimento" da região



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