Opinião de José Ricardo Costa,
recolhida na blogosfera

Tenho à minha frente um horário dos comboios de 1865 o qual me informa que uma viagem entre Lisboa e o Porto demorava mais de 12 horas.

Em garoto, nos anos 60, fiz duas viagens de carro com os meus pais entre Torres Novas e Paris. O primeiro dia era para dormir na Guarda, tal era o tempo que se demorava até chegar a esta cidade.

Quem fizesse Lisboa-Porto pela estrada nacional nº1, demorava outra eternidade. As viagens para o Algarve eram épicas. Quando de manhã se via a praia a emoção era quase tanta como nas Vinhas da Ira quando chegam à Califórnia.

A relação espaço-tempo que hoje existe não tem nada que ver com a noção de espaço-tempo de 1865 ou de há 40 anos atrás. Hoje seria inconcebível fazer uma viagem entre Torres Novas e a Guarda, atravessando dezenas de aldeias a 50 km/hora, indo atrás de tractores em estradas com curvas atrás de curvas, parando em passadeiras e semáforos. Quer isto dizer que, nos nossos dias, a rapidez e a segurança não são um luxo, são uma necessiade básica.

As pessoas deslocam-se cada vez mais, cada vez para mais longe e a sua vida não se compadece com tractores, curvas e velhinhas de bengala a atravessarem passadeiras.Por isso, obrigar hoje alguém a pagar uma auto-estrada só porque existem percursos alternativos é de um cinismo atroz. Muito bem, a SCUT fez-se e teve que se pagar. Com o dinheiro de todos nós, é verdade. Mas então uma estrada qualquer entre duas aldeias do concelho de Mértola, de Vieira do Minho ou de Nelas não teve que ser feita e paga? As estradas não custaram todas dinheiro? Sendo assim, deveríamos ter que pagar só para andar na estrada.

Se eu quiser ir de casa ao cinema de automóvel, deveria pagar para o fazer. Aquela estrada foi paga, certo? Ou será que o alcatrão de uma auto-estrada é mais caro do que o alcatrão de uma não auto-estrada? Se não for, estamos a pagar o quê? As flores que existem nalguns separadores centrais? O metal dos separadores centrais?Os primeiros carros que traziam direccção assistida ou ar condicionado eram mais caros por causa disso. Hoje todos trazem de origem. Porque deixaram de ser um luxo e passaram a ser uma necessidade básica e entendidas como normais de acordo com os nossos padrões actuais, tal como o saneamento básico ou a electricidade numa casa.

Do mesmo modo, conduzir hoje numa auto-estrada não é um luxo, sendo ridículo obrigar uma pessoa a pagar por andar numa estrada cujo benefício é tão banal como o ar que se respira. O Estado não tem dinheiro para fazer face às suas responsabilidades e precisa de o ir buscar a algum lado? Percebo. Mas não me venham dizer que uma auto-estrada tem que ser paga só porque é uma auto-estrada. 

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